sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Pelo Sertão e Desapego.

Saí de Teresina para o sertão cearense, cidade de Boa Viagem, onde meu pai nasceu. No caminho passamos por uma área de litígio, 40 km de puro descaso e abandono pelos estados do Pi e Ce. Estrada de terra, sem nenhum tipo de policiamento, praticamente um deserto, exceto por algumas casas lá e acolá.Pessoas vivendo de forma tão humilde, porém vivendo e vivendo aparentemente felizes.

É aí que vem aquele pensamento... eu, dentro de um carro confortável, no ar-condicionado, ouvindo uma bossa nova e ainda me maldizendo. Não que eu acredite que aquelas pessoas não reclamem da vida ou que não passem por problemas nas suas pobres vidas. Acontece que esses moradores de casas de barro no semi-árido brasileiro se conformam com situações muito mais extremas e tocam a vida em frente, sem frescura, com pés no chão e coragem para sonhar. Agricultores e vaqueiros feitos com a força do Sol, muitos ainda inocentes e honestos, sem canais de TV a cabo e isolados do mundo, mas pertencentes a natureza.

O luxo é um vício, talvez o pior de todos, pois te torna infantil, ambicioso ou até mesmo ganancioso. Qualidades raras, quase inexistentes num cabloco do sertão nordestino. Lembro os budistas que pregam o desapego as coisas materiais. Ah, se eu conseguisse me desapegar ao prazer de consumir... seria bem mais calma e feliz.

Macaco.

de sorisso largo.
de mãos belas.
de olhos lindos.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Medos.

Eu admito, eu confesso, eu tenho um sério problema com mudanças. Principalmente quando esta mudança ocorre na minha visão de mundo, onde eu tinha certeza que algo era assim e agora passa a ser assado. Vocês não têm noção como isso me assusta!

Vou deixá-los a par da situação, ok?! Eu era uma garota de 15 anos que sonhava com o príncipe encantado, mas enquanto o príncipe não chegava... divertia-me com os desencantados, até que no dia do meu aniversário comecei a namorar e pude perceber no decorrer do namoro como me apego rápido as pessoas com que relaciono. O namoro não deu certo e eu sofri horrores. Porém, estou tentando (e conseguindo) parar de me ver como metade da laranja abandonada e machucada para me achar como uma unidade.

Em outras palavras, um outro medo que eu tinha está começando se tornar algo até que aceitável: terminar meus dias sozinha. Porque o importante agora não é mais constituir uma família, isso foi substituído por uma conta bancária que se inicia com algum algarismo entre 1 a 9 e depois é seguido de zeros (deixa-se claro que quanto maior o algarismo ou/e o número de zeros mais bonita fica a conta.).

Ocorre que essa mudança de visão está simplesmente sozinha, ou seja, continuo me apegando rápido a qualquer cidadão que desperte meus instintos amorosos. Que paradoxo, hein?! E fico nessa... de tentar me adaptar a esta nova visão, saindo um pouco do romantismo do século XIX e indo para o individualismo do século XXI.

Esse nosso bendito século onde pessoas se separam mais do que se casam, onde os relacionamentos são tão rápidos quanto a velocidade do som ou até mesmo da luz, onde se gasta mais dinheiro com estética do que com remédios. Pois é, caros amigos eleitores, e eu estou tentando me adaptar a isto. Conformar em não ter um único homem para a vida toda, mas muitos durante toda a vida. Será que eu consigo? Como mudanças são difíceis e dão medo.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Relógio e o telefone.

O passar das horas e dos dias aumenta a vontade de te ligar, de ouvir sua voz.
Eu me pergunto se o telefone e o relógio se uniram e formaram um complô contra mim.
Fica aquela máxima conhecida por todas as meninas: ligar x ser difícil.
Mas vai além do ser difícil, eu gosto de você e você sabe disso. Então, dou meu braço para você torcer?! Você também quer ouvir minha voz? Diz que quer, diz...

Teoria do papai.

- Camila, Teresina é a capital que possui o maior índice de suicídio entre mulheres e o terceiro maior índice entre os homens. Meus Deus! Será que o clima?


Pode ser... pai!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

conversando com um amigo de infância

Igor diz:
-Tenho um plano ultra secreto.
Camila diz:
-dizzzzzzzzzzz
Camila diz:
-vamos conquistar o mundo?
Igor diz:
-Vamos voltar a ser amigos muito amigos. Daí saímos juntos, mas dessa vez vai ser bem melhor
Igor diz:
-Porque podemos beber literatura, fumar cinema, transar música. Somos adultos.
Igor diz:
-Vai ser demais. E aí?
Camila diz:
-vamos , vamos sim

domingo, 7 de setembro de 2008

Travesseiro

Ela se deita, encosta sua cabeça em mim, depois me puxa entre seus braços, me abraça, um abraço que não é para mim, abraço com lembranças... recordações. Ela faz uma prece, eu ouço os sussurros e diria quase sentir as palavras dentro de sua cabeça... ela pensa, me abraça e me inunda. Quando a dor é maior esconde seu rosto em mim... chora e grita um grito que só eu posso ouvir (quase perco a audição). Quando ela ama acompanho seus sonhos, sejam eles tecidos em qualquer hora, estando de olhos abertos ou fechados. Ela inunda de lágrimas que não são para mim e eu escuto, mas ela não me escuta e eu a amparo e ela desabafa. Às vezes apanho socos... ela não é violenta comigo, isso é raro (uma única vez... no máximo duas), mas já aconteceu... sou mordido... mas depois ela me abraça forte, chora e dorme.

- Dorme, Camila... dorme!